“Always Historicize!”: A derrocada do sonho americano em Clothes for a Summer Hotel, de Tennessee Williams
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48.i2.76648Palavras-chave:
historização; dramaturgia; teatro; fantasma; crise de representação; metateatro.Resumo
O artigo analisa Clothes for a Summer Hotel [1980], de Tennessee Williams (1983), a partir da historicização de sua forma e conteúdo, propondo uma leitura que supera abordagens psicológicas ou biográficas tradicionais. A peça é lida como alegoria da decomposição da cultura burguesa sob o capitalismo tardio, figurando a falência dos mitos da liberdade individual, da autenticidade estética e da ascensão social. A fragmentação narrativa, o uso de figuras espectrais e a dissolução das categorias de tempo e espaço evidenciam a crise da memória histórica e a emergência de simulacros, em diálogo com Fredric Jameson (2002) e Jean Baudrillard (1994). O estudo propõe que Williams antecipa, por meio de sua dramaturgia fragmentada e metateatral, a obsolescência do artista enquanto sujeito de resistência simbólica, na medida em que arte e vida tornam-se produtos intercambiáveis na lógica da mercadoria. Francis Scott Fitzgerald, um dos mais notáveis escritores do Modernismo estadunidense, e sua esposa Zelda Fitzgerald, figuras centrais da elite cultural dos anos 1920, reaparecem como espectros desajustados às exigências da cultura de massas, figurando a ruína de uma classe intelectual em processo de apagamento histórico. Ao historicizar essa condição, a peça desmantela a confiança na representação como mediação do real, denunciando o esvaziamento da experiência humana sob o regime do espetáculo. Williams constrói, assim, uma crítica radical à privatização da experiência e à dissolução das promessas modernas, inscrevendo na cena espectral e instável uma convocação à memória, à crítica e à resistência frente à amnésia promovida pelo capital.
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