O projeto poético de Rupi Kaur: a presença de topoi e o entrelace retórico com a produção de autoria feminina
Resumen
O presente artigo se dedica a investigar o projeto poético da escritora indo-canadense Rupi Kaur em suas três obras publicadas em língua portuguesa, sendo elas Outros jeitos de usar a boca (2017), O que o sol faz com as flores (2018) e Meu corpo minha casa (2020). Tem-se como objetivo compreender de que modo a repetição de topoi, com base nas colocações de Kaur (2018) e Achcar (1994), exerce uma função retórica nessa produção que apresenta um forte teor coletivo e de subversão na atualidade. Além disso, mostra-se também imprescindível apresentar aspectos desse entorno social, a citar o silenciamento e as violências historicamente cultivadas em sociedades basilarmente patriarcais, a fim de melhor estabelecer a relação entre a poesia de Kaur e o movimento feminista para, então, alcançar a conexão com outras escritoras mulheres através dos lugares-comuns. Para tanto, são levadas em consideração análises realizadas por teóricos como Foucault (1997) e Barthes (2004), no ensejo de trazer à tona o recurso da posição-autor e da pluralidade da tessitura textual, para além de compreensões sobre memórias culturais que são criadas a partir de uma escrita com topoi, consoante aos apontamentos de Andrade (2020). Nessa perspectiva, mesmo que de modo ainda preliminar, pretende-se demostrar como são criadas redes de conexão que, em uma visão sistêmica, contribuem para o movimento feminista, as suas pautas e a modificação de padrões hegemônicos.
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Citas
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