REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS PRETOS-VELHOS PARA UMBANDISTAS E SIMPATIZANTES

représentations sociales des Pretos-velhos pour les membres et sympathisants de l'Umbanda

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/ajpqwj83

Palavras-chave:

Representação social, umbanda, espiritualidade.

Resumo

Os Pretos-velhos são entidades na Umbanda, conhecidos como espíritos de negros africanos escravizados, atuando no atendimento às pessoas que vão aos terreiros, em busca de auxílio para problemas variados. Objetivou-se analisar a estrutura da representação social dos pretos-velhos na Umbanda para seus fiéis e simpatizantes. Trata-se de estudo descritivo-exploratório, qualitativo, à luz da abordagem estrutural da Teoria das Representações Sociais. Realizado virtualmente por meio do Google Forms®, com 202 umbandistas ou simpatizantes da religião, captados através da técnica Snowball, via compartilhamento de link por WhatsApp, no período de 6 a 11 de novembro de 2020, que responderam a questões de perfil sociodemográfico e três evocações livres em resposta ao termo indutor ‘Preto-velho na Umbanda’. Os dados sociodemográficos foram analisados por estatística descritiva e os relativos às evocações por análise prototípica e de similitude. Os resultados apresentam a estrutura da representação nas dimensões conceitual, prática, afetiva-atitudinal, imagética e de ação humana, cujo provável núcleo central é composto pelos elementos ‘amor, sabedoria, caridade e psicólogo’. Assim, os Pretos-velhos são compreendidos como entidades sábias, carinhosas, amorosas, empáticas, cuidadoras, acolhedoras, que ensinam resistência e resiliência na vida, com atuação semelhante aos profissionais da psicologia, podendo ser reconhecidos como psicólogos da umbanda. Sua representação para este grupo reside na imagem do negro escravizado, de características mais cristianizadas, defensor da moral cristã, como a paciência, a humildade e a caridade que, em conjunto com todo o contexto, possibilitam reforçar a ação humana da fé e da esperança na vida.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Vívian Monteiro de Melo, Universidade Santa Úrsula (USU)

    Graduanda em Psicologia pela Universidade Santa Úrsula (USU), Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5638325105141932.

  • Juliana de Lima Brandão, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3204277308542180.

  • Antonio Marcos Tosoli Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Pós-Doutor em Enfermagem pelo Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor Titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2550343379671285.

  • Flávia Coutinho Nardacci, Universidade Santa Úrsula (USU)

    Graduanda em Psicologia pela Universidade Santa Ursula (USU), Rio de Janeiro (RJ), Brasil.  Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4184822099688766.

  • Laércio Deleon de Melo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Enfermeiro. Doutor em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro (RJ). Professor na Faculdade Anhanguera em Juiz de Fora, Minas Gerais (MG), Brasil. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0206464195208016.

  • Margareth Alves de Castro, Universidade Santa Úrsula (USU)

    Graduanda em Psicologia pela Universidade Santa Ursula (USU), Rio de Janeiro (RJ), Brasil.  Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5242397745690092.

Referências

Abric, JC. (2003). A abordagem estrutural das representações sociais: desenvolvimentos recentes. Em PHF Campos, & MCS Loureiro (Orgs.). Representações sociais e práticas educativas (pp. 37-57). Goiânia: UCG. (Trabalho original publicado em 2003).

Barbosa Júnior, A. (2014). O livro essencial da Umbanda. Universo dos Livros.

Bockorni, BRS, & Gomes, AF. (2021). A amostragem em snowball (bola de neve) em uma pesquisa qualitativa no campo da administração. Revista de Ciências Empresariais da UNIPAR, 22 (1), 105-117. https://doi.org/10.25110/receu.v22i1.8346

Brandão, JL. (2021). A representação social das cirurgias espirituais na Umbanda para médiuns umbandistas do ritual bantu-ameríndio. [Dissertação de mestrado não publicada]. Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Campelo, MM, & Monteiro, A. (2017). Mediunidade e iniciação: notas sobre a iniciação de crianças na umbanda. Revista do NUFEN, 9 (1), 108-126. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-25912017000100008&lng=pt&nrm=iso

Campos, PHF, & Rouquette, ML. (2003). Abordagem estrutural e componente afetivo das representações sociais. Psicologia: Reflexão e Crítica, 16 (3), 435-445. https://doi.org/10.1590/S0102-79722003000300003

Flament, C. (1986). L’analyse de similitude: une technique pour les recherches sur les représentations sociales. In W. Doise & A. Palmonari (Orgs.). L’étude des représentations sociales (pp. 139‐156). Neuchâtel: Delachaux et Niestlé. (Trabalho original publicado em 1986).

Jodelet, D. (2001). Representações sociais: um domínio em expansão. In D. Jodelet (Org.). As representações sociais (pp. 17-44). Rio de Janeiro: EdUERJ. (Trabalho original publicado em 2001).

Lages, SRC. (2019). Preto velho, memória, juventude umbandista. Numen: revista de estudos e pesquisa da religião, 22 (1), 57-65. https://doi.org/10.34019/2236-6296.2019.v22.29601

Maia, AM, & Ferreira, AC. (2019). La umbanda en la región metropolitana de Belo Horizonte: tradición y contemporaneidad. Ciencias Sociales y Religión, 21 (00), e019013. https://doi.org/10.20396/csr.v21i00.12650

Mello, MLBC, & Oliveira, SS. (2019). “A vida é uma doença incurável” - cura e cuidado na tradição de terreiros afrobrasileiros no Rio de Janeiro: contribuições para atenção integral à saúde. Revista Temas em Educação, 28 (1), 171-193. https://doi.org/10.22478/ufpb.2359-7003.2019v28n1.42072

Morais, MA. (2020). A dimensão espacial na construção identitária umbandista. Revista Espaço e Geografia, 23 (1), 265-281. http://www.lsie.unb.br/espacoegeografia/index.php/espacoegeografia/article/view/707

Morais, MR. (2019). De macumba a umbanda: o processo de legitimação da religião dita genuinamente brasileira. Horizonte, 17 (54), 1623-1646. https://doi.org/10.5752/P.2175-5841.2019v17n54p1623

Moscovici, S. (1978). A representação social da psicanálise. Zahar.

Mota, JS. (2019). Utilização do Google Forms na pesquisa acadêmica. Revista Humanidades & Inovação, 6 (12), 371-380. https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/1106

Nascimento, TF. (2017). Códigos culturais nas religiões afro-brasileiras e de origem africana: percepções geográficas. Geosaberes, 8 (15), 41-50. https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6096757

Negrão, LN. (1994). Umbanda: entre a cruz e a encruzilhada. Tempo Social, 5 (1/2), 113-122. https://doi.org/10.1590/ts.v5i1/2.84951

Oliveira, DC, & Gomes, AMT. (2015). O processo de coleta e análise dos conteúdos e da estrutura das representações sociais: desafios e princípios para a enfermagem. In MR Lacerda, & RGS Costenaro (Orgs). Metodologias da pesquisa para a enfermagem e saúde: da teoria à prática. Porto Alegre: Moriá Editora.

Ortiz, R. (1999). A morte branca do feiticeiro negro: umbanda e sociedade brasileira (2ª ed.). Brasiliense.

Pecora, AR, & Sá, CP. (2008). Memórias e representações sociais da cidade de Cuiabá, ao longo de três gerações. Psicologia: Reflexão e Crítica, 21 (2), 319-325. https://doi.org/10.1590/S0102-79722008000200018

Purificação, MM, Catarino, EM, & Amorim, IB. (2019). As ervas medicinais na Umbanda nos cultos de Preto Velho. Fragmentos de Cultura, 29 (4), 746-756. http://dx.doi.org/10.18224/frag.v29i4.7741

Quadros, LCT, Cunha, CC, & Uziel, AP. (2020). Acolhimento psicológico e afeto em tempos de pandemia: práticas políticas de afirmação da vida. Psicologia & Sociedade, 32, e020016. https://doi.org/10.1590/1807-0310/2020v32240322

Rezende, LL. (2018). Enxergando os mortos com os ouvidos: a reelaboração da memória da escravidão por meio da figura umbandista dos pretos-velhos. Afro-Ásia. (57), 55-80. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=77055186002

Rezende, LL. (2020). Preto velho me contou: tecendo os fios que constroem as representações do escravizado idoso. Revista Tempos Históricos, 24 (1), 489-523. https://doi.org/10.36449/rth.v24i1.22920

Sá Junior, MT. (2012). A invenção do Brasil no mito fundador da Umbanda. Revista Eletrônica História em Reflexão, 6 (11), 1-14. https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/historiaemreflexao/article/view/1892/1055

Silva, ACD, Lobato, FHS, & Ravena-Canete, V. (2019). Medicinal plants and their uses in an Amazonian quilombo: the case of the Quacombola Community of Abacatal, Ananindeua (PA). Revista NUFEN: phenomenology and interdisciplinarity, 11 (3), 113-136.
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rnufen/v11n3/a08.pdf

Silva, LMF, & Scorsolini-Comin, F. (2020). A umbanda e os processos de saúde-doença. Semina: Ciências Sociais e Humanas, 41 (2), 215-228. https://doi.org/10.5433/1679-0383.2020v41n2p215

Spezani, RS, Gomes, AMT, Brandão, JL, Santos, LFM, & Gonçalves, CC. (2020). Análise estrutural das representações da COVID-19 entre fiéis da Umbanda na Cidade do Rio de Janeiro. Research, Society and Development, [S. l.], 9 (11), e46991110014. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v9i11.10014

Publicado

2026-06-18

Edição

Seção

Artigos originais

Como Citar

Melo, V. M. de, de Lima Brandão, J., Gomes, A. M. T. ., Nardacci, F. C. ., Melo, L. D. de ., & Castro, M. A. de . (2026). REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS PRETOS-VELHOS PARA UMBANDISTAS E SIMPATIZANTES: représentations sociales des Pretos-velhos pour les membres et sympathisants de l’Umbanda. Psicologia Em Estudo, 31(1). https://doi.org/10.4025/ajpqwj83