Despossessão e escrevivência

a remoção forçada em “becos da memória”, de Conceição Evaristo

Palavras-chave: Literatura, Danos imateriais, Pertencimento, Direito à moradia, Grupos vulneráveis

Resumo

Forced removal in urban areas results in the permanent or temporary dispossession of individuals, families, and communities from their homes or land, violating their rights without providing adequate solutions or appropriate resettlement strategies. This paper investigates the non-material damages caused by this practice, in dialogue with theoretical frameworks and with Conceição Evaristo’s revealing Escrevivência in her novel Becos da Memória (2006). The creative strategy of Escrevivência and Evaristo’s work constitute the corpus and part of the method of the study, transposing into writing the orality and memory of Black women, and revealing socio-spatial exclusion, territorial informality, and tenure insecurity in the outskirts of Brazilian cities. The study also draws on the theoretical contributions of Brah (2005), Anderson (2008), and Hall (2006) on community, boundaries, and belonging. The results highlight the power of Evaristo’s writing, whose fiction/truth unveils psychic suffering, the loss of identity-bearing spaces and accumulated experiences, affecting the sense of belonging and bringing to light rights that have been rendered invisible.

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Biografia do Autor

Geniane Ferreira, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Graduada em Direito pela UNICESUMAR e Letras Português-Inglês pela UEM, Mestre e Doutora em Letras com foco em Estudos Literários pela UEM. Atua como professora Adjunta de Literaturas em Língua Inglesa na Universidade Estadual de Maringá na graduação e na Pós-Graduação em Letras (PLE-UEM). É Membro da Equipe Editorial da Revista Acta Scientiarum Language and Culture. Autora de capítulos de livros e artigos científicos publicados em diversas revistas. É coordenadora adjunta do grupo de pesquisa GEMUP - UEM e coordenadora do projeto de pesquisa “Literatura e o Sujeito Diaspórico” e dedica-se a pesquisas relacionadas à Literatura pós-colonial que abranjam temas como identidade, multiculturalismo, diáspora, racismo e feminismo negro.

 

 

Antonio Rafael Marchezan Ferreira, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (1998), mestre em Direito Negocial, com ênfase em Direito Processual Civil, pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2002), e Doutor em Direito Urbanístico pela PUC-SP (2016), com tese sobre Remoção Forçada em Área Urbana e Resolução não Adversarial. É Professor Associado da UEM desde 2006, ministra aulas no Curso de Graduação em Direito e no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (Mestrado Profissional). Também é Coordenador do Observatório das Metrópoles: Núcleo Região Metropolitana de Maringá.

Rosely Gomes, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (2000); especialização pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado em CIÊNCIAS JURÍDICAS pela Universidade Unicesumar (2021), doutoranda em estudos literários pela Universidade Estadual de Maringá. Atualmente é advogada - Escritório de Advocacia. Membro do Grupo de estudo GEMUP - UEM. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em DIREITO CONSTITUCIONAL, atuando principalmente nos seguintes temas: assédio moral ambiente trabalho, discriminação raça e gênero, racismo e reinserção social.

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Publicado
2025-11-08
Como Citar
Ferreira, G., Marchezan Ferreira, A. R., & Gomes, R. (2025). Despossessão e escrevivência. Revista De Ciências Jurídicas UEM, 8(2), e0012. https://doi.org/10.4025/rcj-uem.v8i2.74013