Depois de Lúcia: Bullying sexual, silenciamento e a vigilância sobre os corpos femininos na escola

Palavras-chave: Educação, Cinema, Bullying, Violência Simbólica

Resumo

O artigo analisa o bullying sexual e a vigilância sobre os corpos femininos em contextos escolares, a partir do filme Depois de Lúcia (México, 2012). Cuja narrativa revela como práticas de violência simbólica e moral afetam meninas, destacando o silenciamento, o isolamento social e a ausência de acolhimento institucional. A análise articula perspectivas históricas, mostrando que o controle sobre os corpos femininos remonta ao patriarcado colonial e às normas morais e religiosas que moldaram a submissão feminina. No espaço escolar, essas práticas se atualizam como bullying relacional e violência simbólica, reforçando hierarquias de gênero e culpabilizando a vítima. O estudo evidencia que o cinema, como experiência estética crítica, pode estimular empatia, questionar relações de poder e promover debates sobre gênero e direitos humanos, reforçando a necessidade de uma educação que transforme a escola em espaço de acolhimento e dignidade para meninas e mulheres.

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Biografia do Autor

Ândria Vitória Nóbrega Cavalcante, Universidade Estadual de Maringá

Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Graduada em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Isaias Batista de Oliveira Júnior, Universidade Estadual do Paraná

Professor Adjunto na Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR. Docente colaborador no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá.

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Publicado
2025-10-14
Como Citar
Cavalcante, Ândria V. N., & Oliveira Júnior, I. B. de. (2025). Depois de Lúcia: Bullying sexual, silenciamento e a vigilância sobre os corpos femininos na escola . Teoria E Prática Da Educação, 28(1), e78954. https://doi.org/10.4025/tpe.v28i1.78954