A escrita como crime e falta em La disparition

Autores

  • Vinicius Carvalho Pereira Universidade Federal de Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v38i1.24590

Palavras-chave:

escrita como violência, crime performativo, literatura francesa

Resumo

La disparition, de Georges Perec, é um romance policial em que muito há para ser desvendado – do sumiço do protagonista, Anton Voyl, ao sumiço da vogal E, que não aparece no livro. Essa violência contra a língua é uma trapaça contra os algoritmos do sistema, logrado no interior das próprias regras de combinatória. Da mesma forma, um protagonista desaparecido vitima a narrativa no plano da expressão, criando uma ausência que se diz, paradoxalmente, não dizendo – crime performativo cometido pela literatura. O sumiço de Voyl é um buraco negro – ou lacuna em branco – que tudo traga para o desconhecido, em um romance que se estrutura a partir da ideia de falta. Isso sugere que toda possibilidade semiótica, ainda que sempre lábil, reside em um hiato, um silêncio, uma diferença no suposto continuum da língua. Nesse contexto, o presente artigo analisa como a noção semiológica de ausência pode, em negativo, potencializar reflexões sobre a própria escrita como crime e falta em La disparition.

 

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Biografia do Autor

  • Vinicius Carvalho Pereira, Universidade Federal de Mato Grosso

    Bacharel e Licenciado em Letras Português-Inglês pela UFRJ

    Mestre e Doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ

    Professor do Departamento de Letras e do Mestrado em Estudos da Linguagem na UFMT

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Publicado

2016-01-01

Edição

Seção

Literatura

Como Citar

A escrita como crime e falta em La disparition. (2016). Acta Scientiarum. Language and Culture, 38(1), 69-77. https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v38i1.24590

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