A ficção epidêmica e suas representações: da ‘Ilíada’ ao romance ‘A peste’, de Camus
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v43i2.56995Palavras-chave:
iteratura francesa; Albert Camus; praga; morte.Resumo
O tema da epidemia é recorrente na literatura ocidental, abarcando obras que foram escritas desde a antiguidade até a contemporaneidade. Partindo dessa premissa, o objetivo deste artigo é fornecer um panorama de textos que tratam dessa questão e estudar a representação do surto epidêmico que vertebra o romance ‘A peste’, do escritor francês Albert Camus, e se estrutura a partir da convergência dos relatos das peripécias de um médico, Dr. Bernard Rieux, com as histórias pessoais de Jean Tarrou, Joseph Grand, Raymond Rambert, o padre Paneloux, o juiz Othon e o mercenário Cottard. O suporte teórico para as análises pauta-se nos textos de Araújo (2020), Benevides (2011), Develey (2020), Fritsch (2018), Martins (2011), Candido (2011), Marx (2020), Palud (2008), Pereira (1996), Phélip (2020), Ruffato (2020), Voisine-Jechova (2001). Valendo-se do entrelaçamento das histórias de vários personagens, a obra camusiana desvela o que há de melhor e de pior nas suas ações, durante um surto de peste bubônica ocorrido na cidade de Oran, e apresenta uma narrativa sensível e humanizada das vidas de seus habitantes imersos num período de horror e de sofrimento, marcado pela tragédia e pela dor de perdas familiares, exílio e confinamento nas fronteiras de um espaço que se vê invadido pela doença, que persiste ao longo de vários meses e vitima grande parte de sua população.
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