Camus e o ‘Pensamento Mediterrâneo’: A Revolta de Meursault
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48.i2.77406Palavras-chave:
Albert Camus; pensamento mediterrâneo; sul global; o estrangeiro; argélia.Resumo
Albert Camus, em seus diários de viagem publicados na França em 1978, traça paralelos entre suas experiências nos Estados Unidos e no Brasil, preferindo a autenticidade e a vitalidade da nação do sul. O autor franco-argelino encontra na exuberância tropical um espaço que desafia o racionalismo do norte, uma força subterrânea que também parece guiar a arquitetura dos sentidos em sua terra natal, a Argélia. Tanto nas crônicas de Bodas em Tipasa (1936) quanto na ficção de O estrangeiro (1942), Camus formula a ideia de um ‘pensamento mediterrâneo’, no qual a sensualidade e a conexão com a natureza aparecem como alternativa epistemológica ao racionalismo ordenador europeu. Este artigo analisa trechos dos diários de Camus, de seus escritos de juventude e de alguns de seus textos filosóficos, assim como a construção da trajetória de seu personagem mais conhecido, Meursault, para evidenciar a indissolúvel presença dessa linha sensual e epidérmica na elaboração ficcional e filosófica de uma gnosiologia baseada na terra e no sol.
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