Pode Maria falar? Um estudo interseccional do conto “Maria”, de Conceição Evaristo
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v44i2.60522Palavras-chave:
literatura afro-brasileira; narrativa de autoria feminina; silenciamento; subalternidades; decolonialidadeResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar o conto Maria, de Conceição Evaristo, pela ótica do conceito de interseccionalidade, a partir de Kimberlé Crenshaw (1989) e Carla Akotirene (2019), assim como do conceito de subalternidade, proposto por Spivak (2014). A personagem homônima do conto Maria, de Conceição Evaristo, é uma representação análoga do que tais autoras discutem sobre a identidade da mulher negra ser complexa e relacional com os aspectos de raça e de gênero e não uma coisa ou outra. Assim, Maria performatiza uma complexidade, silenciada e inclusa nos ditames da subalternidade, cuja voz não pode ser ouvida. Na análise do conto de Conceição Evaristo, fundamentada nos conceitos de Akotirene, Crenshaw, e Spivak, pode-se verificar como a personagem Maria e, consequentemente, a obra engendram problemáticas recorrentes na sociedade brasileira, como o silenciamento de sujeitos subalternos, principalmente da mulher preta. Assim, a importância deste artigo se dá pela sua contribuição aos estudos interseccionais na literatura afro-brasileira de autoria feminina
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