Mulheres distópicas: representações femininas em Nós e Jogos vorazes
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v46i2.70228Palavras-chave:
distopias; feminilidade; mulheres; representação; patriarcado.Resumo
O presente trabalho tem por objetivo comparar as representações femininas nos romances Nós, de Ievguêni Zamiátin, e Jogos vorazes, de Suzanne Collins, para examinar como as mulheres são representadas na literatura distópica e se há mudanças significativas nessas representações no século XX e XXI e como elas influenciam na construção do romance distópico. A realização do estudo se apoia em teorias feministas e culturais, que forneceram subsídios para entender os processos de opressão e resistência presentes nas personagens O-90 e I-330, do romance de Zamiátin, e Katniss Everdeen, da narrativa de Suzanne Collins. O estudo conclui que, nas distopias clássicas, as mulheres eram frequentemente retratadas de maneira estereotipada e sem destaque, apesar de serem essenciais para o desenvolvimento da trama, enquanto em obras mais recentes elas assumem um papel de protagonismo, tanto na escrita quanto como personagens. No entanto, ainda são responsabilizadas pelos erros cometidos e sofrem com uma repressão maior do que os homens. Por fim, ao colocar as personagens lado a lado, foi possível compreender que as mulheres são de suma importância para a construção da distopia como literatura, pois são os personagens mais críticos dentro da trama, as quais tornam possível o cumprimento da premissa da distopia: construir um pensamento crítico no seu leitor a partir de uma realidade exagerada.
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