A Reconfiguração do Ethos Profissional da Direção Escolar frente à Nova Gestão Pública em Mato Grosso do Sul
Resumo
Este artigo analisa os impactos da Nova Gestão Pública (NGP) e da Gestão por Competências (GpC) na educação básica de Mato Grosso do Sul, com foco na reconfiguração do trabalho dos diretores escolares. A investigação baseia-se na análise dos decretos estaduais n.º 14.719/2017 e n.º 15.490/2020, fundamentando-se em aportes teóricos críticos apresentados por Ball, Laval e Frigotto. O estudo revela que a GpC no Estado transforma diretores em gestores de desempenho, subordinados a metas centralizadas; fragiliza a autonomia escolar e precariza o trabalho docente mediante contratos temporários e cobrança por resultados. Evidencia contradições entre o discurso de autonomia e a realidade de controle hierárquico, caracterizando o modelo como privatização endógena. Conclui-se que a NGP em Mato Grosso do Sul reorienta a função social da escola para lógicas empresariais, comprometendo a gestão democrática e intensificando o sofrimento psíquico dos profissionais da educação.
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