Do combate às drogas à cor de pele e classe social
qual o impacto na vida de grupos marginalizados e quem mais sofre com esse combate?
Resumo
A escravidão no Brasil deixou marcas profundas de racismo e exclusão social, que ainda persistem, afetando a vida das populações negras e periféricas. Mesmo após a abolição, a população negra permaneceu marginalizada, sem apoio governamental e inclusão nas esferas sociais, resultando em segregação social-racial. A associação entre pobreza, criminalidade e negritude perpetua estigmas negativos, com reflexos diretos na marginalização dessas populações. A pesquisa, baseada em métodos qualitativos, quantitativos e análise documental, examina o tratamento das populações marginalizadas e evidencia a falha do Estado em garantir direitos básicos, como trabalho e moradia. Além disso, a pesquisa destaca a negligência das autoridades policiais nas periferias, onde a falta de oportunidades de trabalho leva muitos ao comércio de drogas. O estudo também critica as políticas antidrogas, que em vez de combater o tráfico, focam nas populações periféricas, especialmente no caso da maconha, de maneira preconceituosa. As políticas antidrogas e o encarceramento em massa têm impacto desproporcional sobre as populações negras, exacerbando desigualdades sociais e econômicas. A luta contra o tráfico muitas vezes se traduz em uma guerra contra a classe social e a cor da pele, refletindo as raízes escravocratas da sociedade brasileira. O estudo questiona a eficácia das políticas públicas e aponta o racismo estrutural como fator central na perpetuação das desigualdades, revelando a necessidade urgente de políticas inclusivas e de combate ao racismo.
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