Uma pedra no meio do caminho: ato e transmissão no laço social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v43i2.58477

Palavras-chave:

memória; humanismo; segregação; estranho; testemunho.

Resumo

A situação-limite vivida no Brasil com a Covid-19 revela que as restrições e os riscos inerentes à pandemia atingem a todos, mas, definitivamente, não do mesmo modo. Grande parte da população sequer experimenta introspecção ou confinamento seguro, escancarando a mentira que minimiza a crise sanitária, econômica e humanitária. Nesse contexto, Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, munido de uma marreta, quebra blocos de paralelepípedos instalados debaixo de um elevado na Zona Leste da cidade com o claro intuito de impedir que moradores de rua lá se instalassem. A ação das ‘marretadas’ se converte em testemunho diante do excesso e permite pensar, a partir de Freud, o lugar da memória e da transmissão, que remete a uma experiência ética e supõe implicação. Ao articular o estranho/inquietante àquilo que é ao mesmo tempo familiar, temos – de um lado, a repetição a nos lembrar que não existe saber que dispense o sujeito de estar incluído na experiência e no laço social; de outro, a segregação, como modo de ordenamento do território e dos indesejáveis, que insistem e convocam o comum, cuja presença afirma a diferença e, de algum modo, recupera a dimensão humana da Cidade.

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Publicado

2021-12-01

Edição

Seção

Chamada Temática - Literatura

Como Citar

Dias, C. R. ., & Cerruti, M. Q. . (2021). Uma pedra no meio do caminho: ato e transmissão no laço social. Acta Scientiarum. Language and Culture, 43(2), e58477. https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v43i2.58477

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