‘Tem como vocês me enviarem uma pizza?’: a camuflagem em ligações de denúncia de violência contra a mulher
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v46i1.69605Palabras clave:
análise da conversa; ligações de emergência; violência contra a mulher; intersubjetividadeResumen
Este estudo, que está inserido na área interdisciplinar da Linguística Aplicada, visa analisar ligações de emergência realizadas para o 190 durante a pandemia de covid-19 que denunciam violência contra a mulher por meio de solicitações camufladas realizadas na presença dos agressores. Neste artigo, duas ligações naturalísticas dessa natureza, disponíveis no Youtube, são analisadas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com base na perspectiva teórico-metodológica da Análise da Conversa (AC). Durante a análise sobre as ações interacionais performadas, observou-se uma estrutura organizacional recorrente nessas ligações camufladas. Em todas elas, gera-se uma quebra de expectativa, a qual é resolvida por meio de algumas ações interacionais e recursos semióticos distintos, tais como iniciação de reparo e solicitações específicas de informação, permeadas por pausas, entonações acentuadas, alongamentos de sons e repetições, que operam em prol do alcance da intersubjetividade. Por fim, a partir dos resultados obtidos, salienta-se a relevância deste trabalho de modo a: (a) contribuir com o avanço dos estudos de fala-em-interação no Brasil; (b) promover oficinas de capacitação aos profissionais do 190 a partir da demanda de desvendar ligações camufladas; e (c) orientar vítimas potenciais sobre a possibilidade de utilizarem camuflagem como uma forma de denúncia de violência contra a mulher enquanto na presença dos agressores.
Descargas
Referencias
Albert, S., Housley, W., & Stokoe, E. (2019). In case of emergency, order pizza: an urgent case of action formation and recognition. In 1st International conference on conversational user interfaces (p. 1-2). Nova Iorque.
Andrioli, F., & Ostermann, A. C. (2019). Entendendo o ‘entendimento’ em aulas de língua inglesa: uma perspectiva interacional multimodal. Acta Scientiarum. Language and Culture, 41(2), e46454. DOI: https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v41i2.46454
Assembleia Geral das Nações Unidas. (1993). Declaração sobre a eliminação da violência contra as mulheres. Resolução 48/104, de 20 de dezembro de 1993. Assembleia Geral das Nações Unidas.
Brasil. (2006). Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Brasília, DF: Diário Oficial da União.
Balanço Geral. (2021, 15 de jun.). Mulher finge pedir açaí para denunciar agressor à polícia. Youtube. Recuperado de https://www.youtube.com/watch?v=MmkSy4fXuAk
Del Corona, M. O. (2011). O universo do 190 pela perspectiva da fala-em-interação (Tese de Doutorado). Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo.
Divan, L. M. F., & Oliveira, R. P. (2008). A Pesquisa qualitativa e o paradigma da ciência pós-moderna: uma reflexão epistemológica e metodológica sobre o fazer científico. Gragoatá, 13(25), 185-202.
Fávero, L. L. (2001). O tópico discursivo. In D. Preti (Org.), Análise de textos orais (5a ed., p. 33-54). São Paulo, SP: Humanitas Publicações FFLCH/USP.
Ferreira, I. A., & Moraes, S. S. (2020). Subnotificação e Lei Maria da Penha: o registro como instrumento para o enfrentamento dos casos de violência doméstica contra mulher considerando o anuário brasileiro de segurança pública (2019). O Público e o Privado, 18(37), 259-280. DOI: https://doi.org/10.52521/18.4108
Fórum Brasileiro de Segurança Pública, & Datafolha Instituto de Pesquisas. (2021). Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil (3a ed.). Recuperado de https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2021/06/relatorio-visivel-e-invisivel-3ed-2021-v3.pdf
Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (2022). Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022 (16a ed.). Recuperado de https://assets-dossies-ipg-v2.nyc3.digitaloceanspaces.com/sites/3/2022/06/anurio-2022.pdf
Frazão, E. A. S., & Lima, V. S. (2017). Análise da conversação no Brasil: os desdobramentos de um campo de formação multidisciplinar. Entrepalavras, 7(2), 622-637. DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321.7.7.2.622-637
Gago, P. C., & Pinto, P. J. G. (2012). Interrogatórios policiais da delegacia de repressão a crimes contra a mulher: algumas práticas sequenciais de negociação. Signótica, 24(2), 339-365. DOI: https://doi.org/10.5216/sig.v24i2.19169
hooks, b. (2018). O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras (16a ed.). Rio de Janeiro, RJ: Rosa dos Tempos.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. (2020). Panorama. Recuperado de https://cidades.ibge.gov.br/brasil/panorama
Jefferson, G. (1984). Transcript notation. In J. M. Atkinson, & J. Heritage (Eds.), Structures of social action: studies in conversation analysis (p. IX-XVI). New York, NY: Cambridge University Press.
Pinto, P. J. G., & Gago, P. C. (2016). O uso de reformulações por um inspetor de polícia durante a atividade de negociação nos interrogatórios policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Mulher (DRCCM). Veredas, 17(2), 136-151.
Loder, L. L., Salimen, P. G., & Müller, M. (2008). Noções fundamentais: sequencialidade, adjacência e preferência. In L. L. Loder, & N. M. Jung (Orgs.), Fala-em-interação social: introdução à análise da conversa etnometodológica (p. 39-58). Campinas, SP: Mercado de Letras.
Freitas, A. L. P., & Machado, Z. F. (2008). Noções fundamentais: a organização da tomada de turnos na fala-em-interação. In L. L. Loder, & N. M. Jung (Orgs.), Fala-em-interação social: introdução à análise da conversa etnometodológica (p. 95-126). Campinas, SP: Mercado de Letras.
Marcuschi, L. A. (2003). Análise da conversação (5a ed.). São Paulo, SP: Ãtica.
Marega, L. M. P., & Jung, N. M. (2011). A sobreposição de falas na conversa cotidiana: disputa pela palavra? Veredas, 15(1), 321-337.
Organização Mundial da Saúde [OMS]. (2021). Violence against women prevalence estimates, 2018. Geneva, CH: WHO.
Ostermann, A. C. (2008). Análise da Conversa (Aplicada) como uma abordagem para o estudo de linguagem e gênero: o caso dos atendimentos a mulheres em situação de violência no Brasil. Athenea digital, Revista de Pensamiento e Investigación Social, 14, 245-266.
Ostermann, A. C. (2018, 7 de out.). Análise da conversa: um olhar científico sobre as falas. Youtube. Recuperado de https://www.youtube.com/watch?v=793FZpy0NF4
Ostermann, A. C. (2003). Communities of practice at work: gender, facework and the power of habitus at an all-female police station and a feminist crisis intervention center in Brazil. Discourse & Society, 14(4), 473-505.
Oostermann, A. C., & Oliveira, M. C. L. (2015). Você está entendendo? Contribuições dos estudos de fala-em-interação para a prática do teleatendimento. Campinas, SP: Mercado de Letras.
Sacks, H., Schegloff, E., & Jefferson, G. (1974). A simplest systematics for the organization of turn-taking for conversation. Language, 50(4), 696-735. DOI: https://doi.org/10.2307/412243
Silva, C. R., Andrade, D. N. P., & Ostermann, A. C. (2009). Análise da conversa: uma breve introdução. ReVEL, 7(13), 1-21.
UOL. (2021, 28 de mai.). Mulher chama polícia com "pedido de pizza"; ouça o áudio da ligação. Youtube. Recuperado de https://www.youtube.com/watch?v=AtQcBld5EMY
Watson, R., & Gastaldo, E. (2015). Etnometodologia & Análise da Conversa. Rio de Janeiro, RJ: Editora Vozes; Editora PUC-Rio.
Whalen, M. R., & Zimmerman, D. H. (1987). Sequential and institutional contexts in calls for help. Social Psychology Quarterly, 50(2), 172-185. DOI: https://doi.org/10.2307/2786750
Zimmerman, D. (1984). Talk and its occasion: the case of calling the police. In D. Schiffrin (Org.), Meaning, form, and use in context: linguistic applications (p. 210-228). Washington, DC: Georgetown University Press.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Esther de Paula Guedes, Mineia Frezza

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original, não tendo sido submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou em sua totalidade.
Os direitos autorais pertencem exclusivamente aos autores. Os direitos de licenciamento utilizados pelo periódico é a licença Creative Commons Attribution 4.0 (CC BY 4.0): são permitidos o acompartilhamento (cópia e distribuição do material em qualqer meio ou formato) e adaptação (remix, transformação e criação de material a partir do conteúdo assim licenciado para quaisquer fins, inclusive comerciais.
Recomenda-se a leitura desse link para maiores informações sobre o tema: fornecimento de créditos e referências de forma correta, entre outros detalhes cruciais para uso adequado do material licenciado.



