Educação popular, Igreja Católica e ideologia anticomunista no Brasil
ambivalências no âmbito do Movimento de Educação de Base (1961-1966)
Resumo
Analisamos relações entre o Movimento de Educação de Base (MEB) e as forças hegemônicas no Brasil entre 1961 e 1966, em especial a Igreja Católica. Partimos do seu percurso inicial como iniciativa de educação popular e das bases do seu projeto educativo, observando que suas discussões internas ecoavam elementos da luta anticomunista. Utilizamos fontes institucionais para compreender as tensões que levaram à sua assimilação pelo regime após o golpe. Recorremos à imprensa para analisar registros que colocavam em questão suas intenções educacionais, compreendendo como a “gestão das paixões políticas” foi fundamental para que a opinião pública justificasse discursos e práticas de repressão diante de alternativas assumidas como contestatórias ao regime, com apoio inequívoco da hierarquia católica.
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