Deriva referencial em discursos sobre a organização dos jogos olímpicos de 2016
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v39i2.29652Palabras clave:
análise de discurso, funcionamento referencial, Olimpíadas.Resumen
O foco deste estudo é o funcionamento referencial em sequências representativas do construto teórico que denominamos Discurso de Organização das Olimpíadas 2016. Inicialmente, apresentamos a configuração desse discurso. Em seguida, discutimos a ocorrência da primeira pessoa do plural com base em uma perspectiva discursiva, enfatizando a noção de ‘nós’ político. Finalmente, analisamos sequências discursivas extraídas de declarações de Carlos Nuzman, presidente do comitê organizador do evento. Por meio de exercícios parafrásticos e da relação entre o linguístico e a memória discursiva, percebemos que, quando da ocorrência do ‘nós’, o discurso de Nuzman varia entre referentes imaginários distintos. Essa deriva produz um efeito de socialização da responsabilidade pelo trabalho organizacional. Entretanto, tal efeito faz supor um alinhamento, controverso, entre a posição daquele que enuncia (em confronto com certo imaginário sobre o Brasil) e a do referente. Ressaltamos, portanto, a importância de abordar o ‘nós’ em um nível discursivo, de maneira a pôr em causa a ilusão de homogeneidade de vozes que tal representação pode produzir.
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