v. 26 n. 1 (2022): Dossiê: Imagens Interditas: censura e criação artística no espaço ibérico contemporâneo.

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Qual a diferença entre as imagens que passam diante dos nossos olhos e aquelas que o imaginário produz? Quais as mais poderosas e “subversivas”? O que justifica, nesse caso, a censura? As imagens em si, os seus propósitos ou os seus usos? São as imagens que são censuradas ou o que pensamos e fazemos depois com elas? A tensão entre visibilidade e invisibilidade, entre imagem vista e imagem imaginada, endereça-nos para as complexas relações entre literatura e artes visuais.

A tentativa de controlar o discurso público legitimando certas vozes e relegando outras ao silêncio constitui um dos principais objetivos da censura. Esta está intimamente ligada ao exercício da coerção estatal com o fim de se impor uma ideologia a pretexto da proteção dos valores de uma sociedade.

Grande parte do século XX ibérico foi marcado pela censura imposta por regimes ditatoriais (em especial o Estado Novo e o Franquismo) que visavam todas as formas de expressão, principalmente a comunicação social, o cinema e a literatura. Em paralelo surgem fenómenos de resistência, seja abertamente, seja na clandestinidade, que desenvolveram movimentos como o neo-realismo em Portugal e o tremendismo em Espanha. Nesse país, após o fim da Guerra Civil, grande parte dos intelectuais emigraram, construindo, então, uma impressionante literatura de exílio, contando uma versão alternativa à História propagada pelo regime vencedor.

Publicado: 2022-04-18

Editorial

  • Imagens Interditas: censura e criação artística no espaço ibérico contemporâneo. Apresentação.

    Ana Bela Morais, Bruno Marques, Isabel Araújo Branco (Autor)
    1-6
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.63069

Dossiê

  • Cultura clandestina, cultura de exílio e imagens subversivas no ocaso ditatorial português.

    Daniel Melo (Autor)
    7-30
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61309
  • Das Mónicas de Novas cartas portuguesas às Mónicas de Maria Teresa Horta.

    Andreia Oliveira (Autor)
    31-44
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61337
  • Ernesto de Melo e Castro e o salto do cavalo no jogo de xadrez do Estado Novo: o experimentalismo visual e performático contra a censura.

    Cláudia Madeira (Autor)
    45-61
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61901
  • Margem de certa maneira: o caso da censura a Catembe.

    Maria do Carmo Piçarra (Autor)
    62-82
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61947
  • Censura ao erotismo e violência no cinema em Portugal (1968-1974).

    Ana Bela Morais (Autor)
    83-97
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.62097
  • João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira: “cruising” no reino do não-dito.

    Bruno Marques (Autor)
    98-122
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61956
  • Forbidden (Homo)sexual Images in Translated Short Fiction in Estado Novo Portugal and State-Socialist Hungary between 1949 and 1974.

    Zsófia Gombár (Autor)
    123-137
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.61771
  • "A coincidência da invenção poética revolucionária com a invenção política revolucionária": os casos das obras Cuba Colectiva e 48 Artistas, 48 Anos de Fascismo.

    Cristina Pratas Cruzeiro (Autor)
    138-162
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.62094
  • Luisa Carnés: a recuperação de uma voz feminina do início do século XX pela academia e pelas editoras.

    Isabel Araújo Branco (Autor)
    163-176
    DOI: https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i1.62292

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