“O essencial é invisível aos olhos”? Essência e Aparência das Sociedades (Medievais)
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascieduc.v48.i1.77202Resumo
A racionalidade e o conhecimento crítico perderam boa parte do seu prestígio, amplificadas as suas dissensões internas. A História constitui, há algumas décadas, um campo intelectual marcado por dissensos variados. Diversa é a sua epistemologia, os referenciais teóricos e metodológicos que sustentam as suas operações, e até a ausência destes parâmetros em prol da suposta superação das amarras da objetividade e de qualquer anseio de alcance da verdade histórica. Neste artigo, evoco algumas dessas questões, em especial a perspectiva que segue presidindo a nossa medievalística e além. Concedendo aos agentes históricos, às suas concepções e visões de mundo a superioridade ‘gnosiológica’ na apreensão das suas sociedades, constitui-se a História como uma disciplina de base êmica que a reduz à reprodução acrítica das ideologias das classes dominantes de ontem e de hoje. Defendo uma epistemologia que reafirme a função última do conhecimento histórico, a compreensão objetiva das leis e tendências que regem o funcionamento e a transformação das sociedades humanas.
Downloads
Referências
Beltrán Villalva, M. (1982). La realidad social como realidad y apariencia. Reis, 19, 27-53. https://doi.org/10.5477/cis/reis.19.27
Borges, M. L. A. (1998). História e metafísica em Hegel: sobre a noção de espírito do mundo. EDIPUCRS.
Cardoso, C. F. (2005). Um historiador fala de teoria e metodologia: ensaios. Edusc.
Domingues, G. B., & Maciel, J. C. (2019). Jacques Derrida: comentários à metafísica e (des)concepções. Revista Urutágua: Revista Acadêmica Multidisciplinar, 37, 53-73. https://doi.org/10.4025/revurut.vi37
Duby, G. (1994). As três ordens ou o imaginário do feudalismo. Editorial Estampa.
Ferrater Mora, J. (1979). Diccionario de Filosofía (4 vols.). Alianza Editorial.
Fontana, J. (1998). História: análise do passado e projeto social. Edusc.
Geras, N. (1977). Marx y la crítica de la economía política. In R. Blackburn (Org.), Ideología y ciencias sociales (pp. 30-58). Grijalbo.
Guerreau, A. (1980). Le féodalisme: Un horizon théorique. Sycomore.
Guerreau, A. (2001) L’avenir d’un passé incertain. Quelle histoire du Moyen Âge au XXIe siècle? Éditions du Seuil.
Houaiss, A., Villar, M., & Franco, F. M. M. (1986). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Objetiva Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia.
Kant, I. (1987). Crítica da razão pura (Vol. I). Nova Cultural.
Kottak, C. P. (2006). Mirror for humanity. a concise introduction to cultural anthropology. McGraw Hill.
Lamo de Espinosa, E. (1981). La teoría de la cosificación. De Marx a la Escuela de Francfort. Alianza Editorial.
Löwy, M. (2005). Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre O conceito de história”. Boitempo.
Manieri, D. (2007). Herbert Marcuse: teoria crítica e sociedade tecnológica. CSOnline. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, 1, 89-112. https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/17033
Marx, K. (2013). O Capital: crítica da Economia Política (Livro 1). Boitempo.
Medeiros, J. L. G. (2021). A ciência afundada no Tsunami irracionalista: as raízes do ataque à razão. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, 13(1), 443-464. https://doi.org/10.9771/gmed.v13i1.43474
Melo, D. B. (2012). Ditadura “Civil-Militar”? Controvérsias Historiográficas sobre o Processo Político Brasileiro no Pós-1964 e os Desafios do Tempo Presente. Espaço Plural, 13(27), 39-53. https://e-revista.unioeste.br/index.php/espacoplural/article/view/8574
Neves, R. S. (2024). Nietzsche e a realidade enquanto aparência. III Seminário Internacional “Nietzsche nos Pampas”. Annales FAJE, 9(1), 315-322. https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/annales/article/view/5612/5209
Oliveira, M. B. (2018). Pós-verdade: filha do relativismo científico? Outras Palavras. https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/pos-verdade-uma-filha-do-relativismo-cientifico/
Pachá, P. (2019, 18 february). Why the brazilian far right loves the European middle ages. Pacific Standard. https://psmag.com/ideas/why-the-brazilian-far-right-is-obsessed-with-the-crusades/
Rosa, M., & Orey, D. C. (2012). O campo de pesquisa em etnomodelagem: as abordagens êmica, ética e dialética. Educação e Pesquisa, 38(4), 865-879. https://doi.org/10.1590/S1517-97022012000400006
Xia, J. (2011). An anthropological emic‐etic perspective on open access practices. Journal of Documentation, 67(1), 75-94. https://doi.org/10.1108/00220411111105461
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Mário Jorge da Motta Bastos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original, não tendo sido submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou em sua totalidade.
Os direitos autorais pertencem exclusivamente aos autores. Os direitos de licenciamento utilizados pelo periódico é a licença Creative Commons Attribution 4.0 (CC BY 4.0): são permitidos o compartilhamento (cópia e distribuição do material em qualquer suporte ou formato) e adaptação (remix, transformação e criação de material a partir do conteúdo assim licenciado para quaisquer fins, inclusive comerciais).
Recomenda-se a leitura desse link para maiores informações sobre o tema: fornecimento de créditos e referências de forma correta, entre outros detalhes cruciais para uso adequado do material licenciado.




