“O essencial é invisível aos olhos”? Essência e Aparência das Sociedades (Medievais)
DOI :
https://doi.org/10.4025/actascieduc.v48.i1.77202Résumé
A racionalidade e o conhecimento crítico perderam boa parte do seu prestígio, amplificadas as suas dissensões internas. A História constitui, há algumas décadas, um campo intelectual marcado por dissensos variados. Diversa é a sua epistemologia, os referenciais teóricos e metodológicos que sustentam as suas operações, e até a ausência destes parâmetros em prol da suposta superação das amarras da objetividade e de qualquer anseio de alcance da verdade histórica. Neste artigo, evoco algumas dessas questões, em especial a perspectiva que segue presidindo a nossa medievalística e além. Concedendo aos agentes históricos, às suas concepções e visões de mundo a superioridade ‘gnosiológica’ na apreensão das suas sociedades, constitui-se a História como uma disciplina de base êmica que a reduz à reprodução acrítica das ideologias das classes dominantes de ontem e de hoje. Defendo uma epistemologia que reafirme a função última do conhecimento histórico, a compreensão objetiva das leis e tendências que regem o funcionamento e a transformação das sociedades humanas.
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