Ensino médio integrado: reflexões sobre concepções e perspectivas de seus docentes
Resumo
A pesquisa investiga as concepções de ensino médio integrado (EMI) pelos docentes dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, destacando as suas vinculações teórico-pedagógicas. O estudo, de corte transversal e natureza descritiva, utilizou um questionário eletrônico aplicado a 1077 docentes em atividade, distribuídos entre os 38 Institutos Federais do país. Os dados indicam que, em termos teóricos, os docentes possuem um alinhamento não-crítico, posição relativizada quando definiram o EMI. Neste caso, as respostas tendem a um campo mais aberto de controvérsias e disputas sociais, evidenciando a tensão entre abordagens críticas, voltadas para a emancipação social, e perspectivas convergentes ao mercado. Também se constatou que, com intensidades diferenciadas, os docentes dos IFs tendem a valorizar aspectos pontuais que compõem o EMI, mas, de modo algum, representam a totalidade da proposta. Caso seja problematizada, essa limitação pode se transformar em ponto de partida para a efetivação de práticas pedagógicas de um EMI visto como travessia rumo à superação do capital e da dualidade entre uma escola para fazer e outra para pensar.
Downloads
Referências
Antunes, R. (2020). Uberização, trabalho digital e indústria 4.0 (1a ed.). Boitempo.
Arantes, A. K. (2022). A concepção de ensino médio integrado dos docentes dos Institutos Federais de Educação [Tese de doutorado, Universidade Federal do Espírito Santo]. Repositório UFES. http://repositorio.ufes.br/handle/10/16439
Conciani, W., & Figueiredo, L. C. (2015). A produção de ciência e tecnologia nos Institutos Federais, 100 anos de aprendizagem. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, 2(2), 40-54. https://doi.org/10.15628/rbept.2009.2941
Costa, A. M. R. (2012). Integração do ensino médio e técnico: percepções de alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA/Campus Castanhal [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Pará]. Repositório UFPA. https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/3006
Cunha, L. A. (2000). O ensino industrial-manufatureiro no Brasil. Revista Brasileira de Educação, 14, 89-107. https://doi.org/10.1590/S1413-24782000000200006
Decker, A., & Evangelista, O. (2019). Educação na lógica do Banco Mundial: formação para a sociabilidade capitalista. Roteiro, 44(3), e23206. https://doi.org/10.18593/r.v44i3.23206
Della Fonte, S. S. (2020). Formação omnilateral e a dimensão estética em Marx. Appris.
Feitosa, R. A. (2019). Uma crítica marxista à interdisciplinaridade. Acta Scientiarum. Education, 41(1), e37750. https://doi.org/10.4025/actascieduc.v41i1.37750
Follari, R. A. (1995). Interdisciplinaridade e dialética: sobre um mal-entendido. In A. P. Jantsch, & L. Bianchetti (Orgs.), Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito (pp. 127-141). Vozes.
Frigotto, G. (2008). A interdisciplinaridade como necessidade e como problema nas ciências sociais. Ideação, 10(1), 41-62. https://doi.org/10.48075/ri.v10i1.4143
Frigotto, G. (2017). Escola “sem” partido. Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. UERJ/LPP.
Frigotto, G. (2018). Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: Relação com o ensino médio integrado e o projeto societário de desenvolvimento. UERJ/LPP.
Frigotto, G., & Araujo, R. M. L. (2018). Práticas pedagógicas e ensino integrado. In G. Frigotto (Org.), Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: Relação com o ensino médio integrado e o projeto societário de desenvolvimento (pp. 249-266). UERJ; LPP. https://shre.ink/qXwe
Frigotto, G., Ciavatta, M., & Ramos, M. (2005). Ensino médio integrado: concepções e contradições. Cortez.
Gramsci, A. (2001). Cadernos do cárcere: os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo (Vol. 2). Civilização Brasileira.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (2021). Censo da educação básica 2020: resumo técnico. Inep. https://shre.ink/qXwq
Kuenzer, A. Z. (2011). Ensino Médio e Profissional na produção flexível: a dualidade invertida. Retratos da Escola, 5(8), 43-55. https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/46
Kunze, N. C. (2015). O surgimento da Rede Federal de Educação Profissional nos primórdios do regime republicano brasileiro. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, 2(2), 8-24. https://doi.org/10.15628/rbept.2009.2939
Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. (2008, 29 de dezembro). Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, Cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Presidência da República. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11892.htm
Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. (2017, 16 de fevereiro). Altera as Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e 11.494, de 20 de junho de 2007, e dá outras providências. https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2017/lei-13415-16-fevereiro-2017-784336-publicacaooriginal-152003-pl.html
Lei nº 14.945, de31de julho de 2024. (2024, 31 de julho). Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), e dá outras providências. https://shre.ink/oabV
Lima, M. (2004). O desenvolvimento histórico do tempo necessário para a formação profissional [Tese de Doutorado, Universidade Federal Fluminense].
Lima, M., & Maciel, S. L. (2022). Os ataques em curso contra a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, 1(22), e13780. https://doi.org/10.15628/rbept.2022.13780
Mangini, F. N. R. (2010). A interdisciplinaridade nos parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina]. Repositório UFSC. http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/93673
Mangini, F. N. R., & Mioto, R. C. T. (2009). A interdisciplinaridade na sua interface com o mundo do trabalho. Revista Katálysis, 12(2), 207-215. https://doi.org/10.1590/S1414-49802009000200010
Martins, M. F. (2011). Gramsci, os intelectuais e suas funções científico-filosófica, educativo-cultural e política. Pro-Posições, 22(3), 131-148. https://doi.org/10.1590/S0103-73072011000300010
Martins, M. F. (2018). Tradução da Escola Unitária de Gramsci pela Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani. ETD - Educação Temática Digital, 20(4), 997-1017. https://doi.org/10.20396/etd.v20i4.8649915
Marx, K. (1985a). O capital (10a ed., Vols. I-II). Difel.
Marx, K. (1985b). A miséria da filosofia. Global.
Mészáros, I. (2005). A educação para além do capital. Boitempo.
Ministério da Educação. (2018). Base Nacional Comum Curricular. Educação é a Base. CONSED/UNDIME. https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf
Ministério da Educação. (2024). Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/ept/rede-federal
Mueller, R. R. (2006). Trabalho, produção da existência e do conhecimento: O fetichismo do conceito de interdisciplinaridade [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina]. Repositório UFSC. http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/88458
Plano Clark, V. L., & Ivankova, N. V. (2015). Mixed methods research: a guide to the field (Vol. 3). Sage Publications.
Ramos, M. (2008). Concepção do ensino médio integrado. Secretaria de Estado da Educação do Paraná. https://shre.ink/qXwU
Ramos, M. R. (2009). Pedagogia das competências. In I. B. Pereira, & J. J. C. Lima. (Orgs.). Dicionário da Educação Profissional em Saúde (2a ed., pp. 299-304). EPSJV.
Ramos, M. R. (2014). Ensino médio integrado: da conceituação à operacionalização. Cadernos de Pesquisa em Educação, 19, 15-29. https://doi.org/10.22535/cpe.v0i39.10243
Saviani, D. (1999). Escola e democracia (32a ed.). Autores Associados.
Saviani, D. (2008). História das ideias pedagógicas no Brasil (2a ed.). Autores Associados.
Semeraro, G. (2017). Práxis e formação humana: A concepção “integral” de Gramsci. Revista Práxis e Hegemonia Popular, 2(2), 21-33. https://doi.org/10.36311/2526-1843.2017.v2n2.p21-33
Silva, M. R. (2015). Currículo, ensino médio e BNCC: Um cenário de disputas. Retratos da Escola, 9(17), 367-379. https://doi.org/10.22420/rde.v9i17.586
Snyders, G. (1996). Alunos felizes. Reflexão sobre a alegria na escola a partir de textos literários (2a ed.). Paz e Terra.
Warde, M. (1977). Educação e estrutura social: a profissionalização em questão. Cortez e Moraes.
Copyright (c) 2026 Ana Kelly Arantes, Sandra Soares Della Fonte, Denilson Junio Marques Soares

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original, não tendo sido submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou em sua totalidade.
Os direitos autorais pertencem exclusivamente aos autores. Os direitos de licenciamento utilizados pelo periódico é a licença Creative Commons Attribution 4.0 (CC BY 4.0): são permitidos o compartilhamento (cópia e distribuição do material em qualquer suporte ou formato) e adaptação (remix, transformação e criação de material a partir do conteúdo assim licenciado para quaisquer fins, inclusive comerciais).
Recomenda-se a leitura desse link para maiores informações sobre o tema: fornecimento de créditos e referências de forma correta, entre outros detalhes cruciais para uso adequado do material licenciado.





































