Mediações da gestão educacional por meio dos sistemas estaduais de avaliação: o relatório CONSED (2017) como ‘arquitetura’ da construção de uma hegemonia para uma política de Estado

Chamada Temática: Gestão e Trabalho Pedagógico na Educação Básica e suas Interfaces com a Formação dos Profissionais da Educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/actascieduc.v43i1.55697

Palavras-chave:

gestão educacional; avaliação externa; política de estado; parceria público-privada; sistemas estaduais de educação.

Resumo

O texto traz uma análise documental do ‘Relatório do Seminário Internacional CONSED-2017’ e parte de uma pesquisa de maior abrangência, que busca compreender como as avaliações externas interferem na gestão educacional. Desse modo, neste trabalho busca-se compreender a agenda das políticas educacionais dos sistemas estaduais, por meio das propostas acordadas para avaliação da educação. O documento supracitado foi selecionado com o objetivo de identificar informações públicas que registram as ações políticas dos sistemas estaduais de avaliação. Nesse sentido, o relatório em questão pode ser considerado uma referência para a compreensão da temática, uma vez que compila as discussões e consensos do Grupo de Trabalho dos representantes de todas as secretarias estaduais de educação do país. O percurso teórico-metodológico foi realizado numa perspectiva dialógica com os autores referenciados e exploração do documento especificado, conduzido pela problemática de identificar o que está subjacente e não manifesto nas propostas do Relatório do GT_CONSED: Avaliação da Educação Básica. Conclui-se que o documento reflete a realização de um diagnóstico minucioso dos sistemas de estaduais de avaliação em parcerias com Institutos de razão social privada, evidenciando a redefinição do papel do Estado. Registra também uma proposta que possibilita a integração dos sistemas de avaliação das unidades da federação, de forma gradativa, por meio de criação de consórcios.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Afonso, A. J. (2009). Avaliação educacional: regulação e emancipação. São Paulo, SP: Cortez.
Afonso, A. J. (2014). Questões, objetos e perspectivas em avaliação. Avaliação, 19(2), 487-507. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-40772014000200013
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) (2017). A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). São Luís do Maranhão, MA: UFMA.
Azevedo, J. M. L. (2004). A educação como política pública. Campinas, SP: Autores Associados.
Ball, S. J. (2011). Sociologia das políticas educacionais e pesquisa crítico-social: uma revisão pessoal das políticas educacionais e da pesquisa em política educacional (p. 21-53). In S. J. Ball, & J. Mainardes (Orgs.), Políticas educacionais: questões e dilemas. São Paulo, SP: Cortez.
Ball, S. J. (2014). Educação Global S. A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Ponta Grossa, PR: UEPG.
Barroso, J. (2005). O Estado, a educação e a regulação das políticas públicas. Educação e Sociedade, 26 (92), 725-751. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302005000300002
Caetano, M. R. (2019). Os sujeitos e a proposta educacional da Base Nacional Comum Curricular: entre o público e o privado. Teoria e Prática da Educação, 22(3), 118-136. DOI: https://doi.org/10.25053/10.4025/tpe.v22i3.46916
Conselho Nacional de Secretários de Educação [CONSED]. (2017). GT-CONSED: Avaliação da Educação Básica-Relatório. Recife. https://www.consed.org.br/storage/download/relatoriosi.pdf
Dale, R. (2004). Globalização e educação: demonstrando a existência de uma ‘cultura educacional mundial comum’ ou localizando uma ‘agenda globalmente estruturada para a educação’? Educação e Sociedade, 25(87), 423-460. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302004000200007
Deslauriers, J., & Kérisit, M. (2014). O delineamento de pesquisa qualitativa. In J. Poupart et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos (4a ed., p. 127-153). Petrópolis, RJ: Vozes.
Evangelista, O. (2012). Apontamentos para o trabalho com documentos de política educacional. In Araújo, R. M. L., & Rodrigues, D. S. A pesquisa em trabalho, educação e políticas educacionais (p. 52-71). Campinas, SP: Alínea.
Freitas, L.C. (2012). Os reformadores empresariais da educação: da desmoralização do magistério à destruição do sistema público de educação. Educação e Sociedade, 33(119), 379-404. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302012000200004
Gramsci, A. (1979). Os intelectuais e a organização da cultura (3a ed.). Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira.
Laval, C. (2004). A escola não é uma empresa: o neo-liberalismo em ataque ao ensino público. Londrina, PR: Planta.
Lima, J. B. S., Sandri, S., & Zanardinia, I. M. S. (2020). Avaliação em larga escala e seus desdobramentos na gestão escolar: considerações a partir de escolas da rede pública municipal de Cascavel/PR. Teoria e Prática da Educação, 23(1), 89-109. DOI: https://doi.org/10.4025/tpe.v23i1.54329
Martins. A. S. (2009a). A direita para o social: a educação da sociabilidade no Brasil contemporâneo. Juiz de Fora, MG: UFJF.
Martins. A. S. (2009b). A educação básica no século XXI: o projeto do organismo ‘Todos pela Educação’. Práxis Educativa, 4(1), 21-28. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.4i1.021028
Newman, J., & Clarke, J. (2012). Gerencialismo. Educação e Realidade, 37(2), 353-381. DOI: https://doi.org/10.1590/S2175-62362012000200003
Oliveira, D. A., & Clementino, A. M. (2020). As políticas de avaliação e responsabilização no Brasil: uma análise da Educação Básica nos estados da região Nordeste. Revista Iberoamericana de Educación, 83(1), 143-162. DOI: https://doi.org/10.35362/rie8313877
Peroni, V. M. V. (2016). Implicações da relação público-privada para a democratização da educação. In Anais da Reunião Científica Regional da ANPED (p. 1-21). Curitiba, PR.
Peroni, V. M. V., & Lima, P. V. (2020). Políticas conservadores e gerencialismo. Práxis Educativa, 15, 1-20. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.15.15344.070
Ravitch, D. (2011). Vida e morte do grande sistema escolar americano: como os testes padronizados e o modelo de mercado ameaçam a educação. Porto Alegre, RS: Sulina.
Ruiz, M. J. F., & Peroni, V. M. V. (2017). Relação público-privada e gestão escolar: o caso da Fundação Victor Civita. Laplage em Revista, 3(3), 147-163. DOI: https://doi.org/10.24115/S2446-6220201733357p.147-163
Saviani, D. (2009). PDE-Plano de desenvolvimento da educação: análise crítica da política do MEC. Campinas, SP: Autores Associados.
Saviani, D. (2011). História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados.
Saviani, D. (2013). Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Campinas, SP: Autores Associados.
Saviani, D. (2016). Da LDB (1996) ao novo PNE (2014 -2024): por uma outra política educacional. Campinas, SP: Autores Associados.
Shiroma, E. O. (2011). Redes sociais e hegemonia: apontamentos para estudos de política educacional. In M. L. N. Azevedo, & A. M. Lara (Orgs.), Políticas para a educação: análise e apontamentos (p. 15-38). Maringá, PR: Eduem.
Uczack, L. H. (2014). O PREAL e as políticas de avaliação educacional para a América Latina (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Publicado

2021-11-29

Edição

Seção

Formação de Professores e Políticas Públicas

Como Citar

Bufalo, K. S. ., & Ruiz, M. J. F. (2021). Mediações da gestão educacional por meio dos sistemas estaduais de avaliação: o relatório CONSED (2017) como ‘arquitetura’ da construção de uma hegemonia para uma política de Estado: Chamada Temática: Gestão e Trabalho Pedagógico na Educação Básica e suas Interfaces com a Formação dos Profissionais da Educação. Acta Scientiarum. Education, 43(1), e55697. https://doi.org/10.4025/actascieduc.v43i1.55697

Artigos Semelhantes

1-10 de 679

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.