Ensinar a esquecer – ensino de história e extrema direita
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascieduc.v46i1.68038Palavras-chave:
ensino de história; extrema direita; rede transnacional; Brasil paraleloResumo
O artigo visa a analisar como a extrema direita vem buscando transformar o ensino de história, deslocando-o da historiografia academicamente aceita para narrativas gloriosas no formato de um romance nacional (Citron, 2017). A investigação apoia-se em um quadro teórico construído com a contribuição de diversos autores, com destaque para Cesarino (2022), Nunes (2022), Pelbart (2019), Traverso (2021), Stanley (2020). Após apresentar um panorama da ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo, analisa-se documentos da extrema direita francesa e estadunidense que propõem mudanças no ensino de história. A seguir, discutimos as produções da Brasil Paralelo na forma de história pública e tensionamos essa versão a partir de um estudo etnográfico da cultura escolar. O artigo mostra aproximações entre as formas historiográficas e métodos de divulgação das propostas pela extrema direita nos três países, mas também indica alguns afastamentos.
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