“Eles te chamam disso porque você fica rebolando”: a produção da normalidade/anormalidade no contexto escolar
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascieduc.v48.i1.77282Palavras-chave:
anormalidade; normalização; diferenças; escola.Resumo
Na modernidade, produziram-se inúmeros aparatos de controle e de normalização, regulação, sujeição e aprisionamento dos sujeitos e de suas identidades/diferenças, o que se mantém atualmente, inclusive na escola. Neste artigo, discutimos a produção da normalidade/anormalidade e a vontade de controle das identidades/diferenças dos sujeitos no ambiente escolar. A análise é fruto de pesquisa utilizando entrevista semiestruturada com professores/as que atuam do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública estadual localizada na Região Centro-Oeste do país. A análise dos enunciados dos/as professores/as aproxima-se da perspectiva pós-estruturalista. Problematizamos, em um primeiro momento, a produção da normalidade/anormalidade, recorrendo especialmente aos escritos de Michel Foucault, Carlos Skliar e José Gil, entre outros. Em um segundo momento, refletimos sobre as tentativas de normalização das identidades/diferenças no contexto escolar por meio do controle dos comportamentos considerados indesejáveis/anormais, os quais, conforme mostrou a pesquisa, se articulam principalmente com o controle da sexualidade. Os resultados indicam que a escola sofre os efeitos do discurso moderno de um projeto único, de uma única identidade, e que, embora aconteçam alguns movimentos de resistência, a maioria dos/as professores/as, envolvidos/as por esses discursos, concebe a diferença como uma identidade desviante, problemática, que precisa ser corrigida e normalizada.
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